Após uns quantos dias com etapas acima dos 85 quilómetros, hoje foi dia de relaxar um pouco.
Tínhamos pela frente uma etapa de pouco mais de 45 quilómetros, bastante acessíveis, com excepção da poderosa subida a O Cebreiro.
A manhã estava bem fresca, proporcionando a temperatura ideal para rolar sem grande calor.
Tivemos um pouco de azar ao pequeno almoço, dado que algumas das coisas que estavam incluídas no buffet tinham-se esgotado antes que tivéssemos sequer hipótese de lhes por a vista em cima. Ainda assim foi possível fazer uma primeira refeição decente, algo absolutamente essencial num dia a dia normal e mais que obrigatório nesta nossa viagem.
A etapa propriamente dita começou com uma descida em alcatrão ao longo de uma estrada que serpenteia ao longo dos vários montes que definem o perfil desta zona. Não demorou muito até que a saborosa descida desse lugar a uma subida um tanto ou quanto comedida na inclinação, que se percorreu sem grande dificuldade. Ao longe, na encosta dos montes, era visível o trilho de uma alternativa oficiosa do caminho que é sobejamente elogiada por quem já a percorreu. Como ainda tínhamos os 110 quilómetros do dia anterior em memória e o enfoque de hoje era o esforço mínimo, nem sequer ponderámos essa opção.
O ritmo foi sempre muito certo, num percurso repleto e peregrinos quer a pé, quer de bicicleta. Como já estamos perto de Santiago, vamos vendo cada vez mais peregrinos a circular, dado que a distância mínima para obter a Compostela (“diploma” para quem termina o Caminho) é de 100 e 200 quilómetros para peregrinos a pé e de bicicleta, respectivamente.
Passados 22 quilómetros começou a verdadeira subida de hoje, no acesso de 6 quilómetros até O Cebreiro.
Quando chegámos à bifurcação entre o percurso pedestre e o de bicicleta (por alcatrão) continuámos pelo acesso alcatroado, pois ao que parece o percurso pedestre é muito pouco ciclável. Foi neste ponto que encontrámos portugueses pela segunda vez na viagem. Uma das raparigas do grupo disse-nos que estavam a fazer o caminho desde Salamanca, pela Via de la Plata.
Eu e o Óscar adiantámo-nos um pouco na subida e em La Faba acabámos por entrar no percurso pedestre por engano, ao seguirmos as setas na aldeia. O Óscar estava um pouco inconformado ao início, pois planeava fazer a subida toda montado na bicicleta e de facto o percurso pedestre tem partes bem complicadas de gerir, em particular com muita gente a circular a pé e com alforges na bicicleta. Acabámos por apanhar novamente a estradaonde reencontrámos o Ricardo, que seguia entretanto à frente.
A primeira paragem do dia foi em O Cebreiro, primeiro para admirar a bela paisagem e depois para admirar uma bela sandes com um pão galego fantástico, muito semelhante ao pão tradicional da aldeia em Portugal.
Estava imenso frio. O vento que nos tinha fustigado ligeiramente na subida estava a a ser incómodo. Ao contrário dos meus companheiros, que matavam a sede com uma bela caña, eu optei por um reconfortante chá, para ajudar a subir a temperatura corporal.
Saímos de O Cebreiro saciados com a sandes, sem grandes planos para o almoço. Pedalámos por uma irá parte do caminho muito bonita, ao longo da encosta que ora subia, ora descia. Viríamos a apanhar de novo a estrada mais adiante e o Óscar, temendo pelo bem estar do seu traseiro e para poupar um pouco as pernas hoje, entusiasmou-se um pouco no alcatrão e liderou-nos na descida quase sempre pela estrada. Tendo em conta o perfil do terreno, creio que teria sido uma opção mais divertida ter seguido pelo caminho original, mas por outro lado chegámos bastante cedo ao nosso albergue.
Depressa nos esquecemos da sandes do meio dia e decidimos ir almoçar de faca e garfo num restaurante perto do albergue. E dado que já estamos oficialmente na Galiza, nada melhor que comer um belo “pulpo” :).
Dormimos uma bela sesta logo a seguir ao almoço, até cerca das 19h30. Era hora de decidir o jantar e o Ricardo sugeriu confeccionar um arroz de polvo. Por altura da redacção desta crónica ainda não iniciámos a refeição, mas tendo por base as refeições que o Ricardo já preparou anteriormente, estou certo que nos espera uma bela iguaria.
Com o aproximar de Santiago, começa a notar-se a escassez de alojamento, tal é a quantidade de pessoas a circular. O nosso albergue (e creio que também os restantes de Triacastela) já estava esgotado. A opção da reserva antecipada revela-se aqui uma mais valia, pelo menos nas etapas finais.

Amanhã serão 65 quilómetros de sobe e desce pela Galiza a dentro. Esperam-nos trilhos verdejantes como tanto gostamos, pelo que espero termos a oportunidade de aproveitar ao máximo os últimos quilómetros dos trilhos o Caminho.

ULTREIA

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3 Comentários

  1. Ay ese pulpo!!!!

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