Hoje foi dia de enfrentarmos uma etapa de 80 km com cerca de 1300 metros de acumulado. Nada melhor para abordar este desafio do que… deixarmo-nos dormir de manhã! Acordámos por volta das 9h30 e após o que é normal fazer pela manhã e conversar um pouco com a simpática hospitaleira Núria, fomos procurar um local para tomar o pequeno almoço.
Eram cerca de 11h30 da manhã, quando efectivamente saímos de Almaden de la Plata, pelo que era certo que o calor iria ser um grande obstáculo a ultrapassar.
Começámos logo com um empeno de subida que deve ser da família da subida final da etapa 1. Pelo meio encontrámos um caminhante espanhol que está a fazer uma grande rota pedestre cujo percurso é partilhado, em parte, com a Via de la Plata.
Se tivesse de dar uma alcunha à etapa de hoje, seria a Etapa Pecuária. A maior parte do percurso de hoje passou por terrenos privados com explorações pecuárias. Para além do constante abrir e fechar de cancelas e portões, passámos ao lado (nalguns casos pelo meio) de vacas, ovelhas, cabras, cavalos e até porcos. Estes últimos serão, provavelmente, dignos de tratamento especial, dado que os currais ao ar livre (que na realidade são porções de alguns milhares de metros quadrados de terreno vedado) dispõem de verdadeiros Jacuzzis naturais onde os animais se refastelam e fazem o que melhor sabem fazer: porcaria :).
Fizemos os primeiros 30 a um ritmo certinho, pouco acelerado, e chegámos a Monasterio por volta das 15h. Reencontrámos um dos dois peregrinos que estavam alojados no albergue de Almaden. Para quem está a fazer o caminho a pé, está a fazer um ritmo impressionante!
Após encontrarmos um local adequado para comer algo, comemos uma bela sandes de um enchido parecido com presunto e após um descanso de 30 minutos, seguimos viagem.
Monasterio está localizada no nosso ponto mais alto da etapa de hoje, pelo que o restante percurso foi feito com relativa facilidade em termos de inclinação do terreno. O que nos ofereceu grande resistência foi mesmo o calor e o ar extremamente seco que se faz sentir nas extensas paisagens áridas por onde passámos hoje. Não é à toa que hoje bebemos cerca de 6 litros de água cada um. Feitas as contas, se o ritmo de consumo de água se mantiver assim até ao fim, quando terminarmos a viagem teremos bebido o equivalente a mais do que o nosso peso em água!
Chegámos a Zafra, onde pernoitamos esta noite. O albergue de hoje (albergue municipal) tem também condições fantásticas. A construção (pelo menos interior) parece ser recente e tem instalações acima da média.
À semelhança de ontem, hoje temos também apenas dois peregrinos hospedados no albergue, para além de nós os dois. Temos mais uma vez um quarto à nossa disposição, pelo que tirando o calor que se faz sentir, estamos bastante confortáveis nos beliches.
A Via de la Plata é, sem dúvida, um caminho de inverno ou primavera, conforme nos confidenciou uma senhora idosa com quem conversámos numa localidade intermédia enquanto recarregávamos o camelbak com água que um habitante local nos disponibilizou.
Uma paisagem bastante desértica, com bastantes estradões e um ou outro trilho mais divertido, esta foi mais uma etapa sem especial interesse paisagístico. O facto de termos passado tão perto de muitos animais foi engraçado e tornou a etapa um pouco mais divertida.
Amanhã há mais. Será uma etapa para descansar, com apenas 65 km e um acumulado de subida de pouco mais de 600 metros. Como o pequeno almoço aqui vai ser às 7h da manhã, temos pelo menos a certeza que iremos iniciar a etapa bem mais cedo que as anteriores. Como dizem que Mérida é muito bonita, vem mesmo a calhar!

Ainda não é hoje que podemos partilhar fotos convosco, mas esperamos resolver esse pormenor amanhã.

Entretanto recordo que a campanha para a Acreditar continua em vigor, pelo que convido todos a visitarem o link www.rumoasantiago.com/apoiar e a participarem.
Até amanhã, que agora é o momento de ir descansar!

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